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Movimento Guaicuru e Henrique Spengler são homenageados no Fazendo Arte

Imagem: Para celebrar o movimento, a produtora cultural Caroline Garcia idealizou o projeto Unidade Guaicuru Viva
Para celebrar o movimento, a produtora cultural Caroline Garcia idealizou o projeto Unidade Guaicuru Viva
05/11/2021 - 13:43 Por: João Grilo   Foto: Reprodução TV ALEMS


O jornalista João Humberto resgata

história do Movimento Guaicuru

Sinônimo de força e resistência à invasão estrangeira, os índios guaicurus inspiraram jovens artistas plásticos, nas décadas de 80 e 90, a criarem o Movimento Cultural Guaicuru, que durante 15 anos foi uma linha de expressão engajada – das artes plásticas às cênicas, que culminou em ricas produções e em manifestações políticas, a exemplo das Diretas Já!

Esse coletivo, criado pelo saudoso Henrique Spengler e integrado por artistas visuais e plásticos, jornalistas e músicos, proclamou a necessidade da valorização da cidadania sul-mato-grossense, além de promover o resgate dos indígenas.

Para celebrar esse movimento tão importante, a produtora cultural Caroline Garcia idealizou o projeto ‘Unidade Guaicuru Viva’, site que conta ahistória do Movimento Guaicuru, a de Henrique, reúne depoimentos e oferece exposição virtual de 69 obras de autoria de 21 artistas. Isso tudo você confere na edição de novembro do Fazendo Arte, que entra na grade da TV ALEMS neste sábado (6), às 16h. 


Coletivo de artistas foi criado por Henrique Spengler

Caçula de quatro filhos de Roberto e Glória de Melo Spengler, Henrique cursou os primeiros anos no Colégio Dom Bosco, em Campo Grande, e já naquela época demonstrava talento para as artes plásticas. A vocação para a arte foi confirmada em vários períodos de sua vida, principalmente quando abandonou a faculdade de Medicina na então Universidade Estadual de Mato Grosso, hoje UFMS, para cursar Educação Artística na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo. 

Encantado pela riqueza da iconografia dos cadiuéus, últimos remanescentes dos guaicurus, Spengler, que a chamava de abstracionismo nativista, começou a reproduzir em suas obras as cores, composições, abstrações geométricas e tradições visuais kadiwéu. Ele passou a criar trabalhos com elementos formais que não se desviassem dos originais grafismos nativos, mesmo utilizando suportes e materiais contemporâneos. 

Desde a década de 70, Henrique Spengler já defendia incansavelmente suas posições, mas foi com a transformação do casarão de sua família na avenida Calógeras, região central de Campo Grande, em residência e sede do movimento, que se intensificaram os estudos e difusão das tradições guaicurus. Ideias e concepções artísticas se multiplicaram coletivamente emergindo em variados segmentos, que passaram a compreender a importância e a necessidade de manter viva a identidade fundada na cultura dos povos originários da região. 

Desde sua criação em 1981, o Movimento Guaicuru provocou transformação no cenário cultural de Campo Grande e, consequentemente, de Mato Grosso do Sul, promovendo fóruns, manifestos culturais, estimulando discussões e extrapolando o conceito de movimento nativista. Como ONG (Organização Não Governamental), representou MS na Eco-92, conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e o desenvolvimento, debatendo questões ambientais envolvendo o Pantanal e a preservação do rio Taquari, com o slogan “Nosso rio, nosso maior orgulho”; encaminhou à Assembleia Legislativa, em 1996, pedido de elaboração de projeto de lei para substituir o termo ‘sul-mato-grossense’ por ‘guaicuru’, além de lutar para que o termo englobasse toda a diversificada produção artístico-cultural do Estado. 

Em 21 de março de 2003, o corpo do artista plástico Henrique Spengler, então com 45 anos, foi encontrado com sinais de agressão na residência em que morava, em Coxim. Segundo Lázaro Borges de Oliveira Filho, assassino confesso de Henrique, depois de suposta discussão com a vítima, ele a matou a pauladas. 

Unidade Guaicuru Viva

A produtora cultural Caroline Garcia, curadora do projeto ‘Unidade Guaicuru Viva’, fala sobre a representatividade de Spengler e sua arte para a cultura de Mato Grosso do Sul, principalmente por dar voz aos indígenas. “Isso precisava ser projetado para a sociedade por meio da internet. O projeto é uma dupla saudação: ao Henrique e à identidade de MS”, ressalta Caroline. 

O projeto Unidade Guaicuru Viva ainda também presta homenagem ao artista Clóvis Irigaray, nascido em Alto Araguaia (MT), e falecido em abril desde ano em Cuiabá. Na juventude, estudou em Campo Grande, nos anos 60, quando começou a produzir arte no ateliê de Humberto Espíndola. “Ele tinha muita admiração pelo Movimento Guaicuru e pelo Henrique Spengler”, enfatiza o artista plástico Jonir Figueiredo, também curador do projeto. 

Mais informações sobre o projeto Unidade Guaicuru Viva podem ser obtidas no site www.unidadeguaicuruviva.com.br, facebook unidadeguaicuruviva e instagram @unidadeguaicuruviva.

Depoimentos de Caroline, Jonir, Lenilde Ramos e Paulo Paes abrilhantam o documentário. 

Fazendo Arte

As artes são formas de expressão criadas através de inúmeras formas e materiais e, de acordo com a vontade do artista, se transformam em grandes produções. Para valorizar esse universo, a TV ALEMS implantou em sua grade de programação o programa ‘Fazendo Arte’, que vem exibindo documentários sobre artistas e movimentos que enriquecem a cultura sul-mato-grossense. 

Produzido, apresentado e roteirizado pelo jornalista João Humberto, o programa pode ser assistido no YouTube da Assembleia MS e na TV ALEMS (canal 9 da NET) às terças, a partir das 12h, quintas às 12h e sábados às 16h. Para assistir ao programa, clique aqui

 

 

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